(...) Sob a sombra da árvore a sombra do homem desenha uma gruta com grafitos.
É uma mão que tropeça nas cores com a transparência de um revérbero e rota, larvar. Se faz um gesto adensa-se a gruta, coa-se agruta em novos labirintos.
Sibilante como o orvalho que embebe a língua do camaleão. Uma mão que draga, incidente.
Demora-se nos veios acidentados da grafite medindo a tangilidade dos poros, o seu mode de se enredarem em rios que se derramam no bico. Rios que vão e vêm como as cegonhas.
Uma mão que fractura o branco e se abeira da cinza com o clamor da cinza e o pezo imponderável de uma telha sob o ninho. Mão voraz, que desfere o risco à medida que o sonho toma a textura da partida, da aurora. (...)
Este texto, da autoria de António Cabrita, descreve a exposição de pintura Mondar a Luz de José Teófilo Duarte, que pode ser vista, até final de Dezembro, no NeroliDesign Atelier, na Rua do Carmo, 31-5º Dtº, em Lisboa, de segunda a sexta-feira, das 14 às 18 horas.
Muito obrigado pela divulgação da exposição.
Aproveito para endereçar convite para visitas ao meu blogue: blogoperatorio.blogspot.com
Até breve
JTD